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O Projeto Educativo sistematiza a ação educacional dos Claretianos que assumem a educação básica e o ensino superior, para formar cidadãos com sólida base profissional e com uma mentalidade saudável, acolhedora e aberta a Deus, à realidade da natureza e à realidade humana. O Projeto Educativo, por meio de sua proposta, visa construir uma sociedade mais justa e humana. Objetiva-se em comunicar aos alunos, pais, professores, funcionários e amigos a Proposta de Educação dos Missionários Claretianos.
1. O HOMEM
1.1.O homem é um ser único, irrepetível, constituído das dimensões biológica, psicológica, social, unificadas pela dimensão espiritual, que é o núcleo do ser-pessoa.
1.2.Enquanto pessoa, expressa seu ser-espírito na liberdade, entendida como capacidade de afirmação, apesar dos condicionamentos e limitações que reforçam sua responsabilidade na construção da própria existência, cuja plenitude é alcançada pela superação de si e pela transcendência.
2. SER EM RELAÇÃO
2.1.O ser humano se nos apresenta numa relação múltipla de abertura ao mundo, aos outros, a si mesmo e ao Tu absoluto, Deus, que ilumina e dá sentido pleno à sua realidade humana. Neste relacionamento múltiplo, ele encontra o caminho da liberdade e do crescimento, realiza-se ao assumir sua missão cristã e política.
2.2. Empenhando-se com os outros na libertação de todos, participando ativamente da vida do povo a que pertence, tendo consciência de que é agente da história do seu povo e da sua própria história particular, o homem constrói a própria liberdade.
2.3.Essa consciência histórica obriga-o a posicionar-se perante a realidade social concreta, intervindo para a mudança das estruturas injustas e desumanas. Tendo consciência de suas limitações, necessita do apoio e da comunhão de vida com os seus semelhantes para sua própria realização.
3. CRIATURA
3.1. A este ser humano, criado por Deus, feito à sua imagem e semelhança, foi confiada a obra da criação.
3.2. Pela fé, o homem encontra em Deus o sentido último de sua existência, a fonte da vida, da liberdade e do amor.
3.3. O homem, aceitando a Deus como Pai, se reconhece como seu filho, irmão de Jesus Cristo, solidário com a humanidade na busca da construção do Reino que é Justiça, Verdade, Comunhão.
3.4. Modelo perfeito de homem é Jesus Cristo, que viveu no abandono incondicional ao Pai e no amor misericordioso e compreensivo para com as pessoas. Nele, o homem encontra tudo o que deseja e procura.
3.5. A Igreja é o prolongamento de Cristo na História. Esta missão universal continua através dos tempos e dela somos participantes e responsáveis.
4. UM SER EDUCÁVEL
4.1. Partindo desses pressupostos, a educação é entendida como processo de aperfeiçoamento intencional das dimensões especificamente humanas e cristãs, portanto um processo de humanização e personalização.
4.1.1. Processo de humanização, enquanto aceita cada educando como ser único e irrepetível, enfeixando num todo suas dimensões biofísícas, psicossociais, espirituais e inserindo-o no contexto histórico.
4.1.2. Processo de personalização, enquanto suas dimensões se integram e convergem para o centro da pessoa como ser transcedental e ser-em-relação.
4.2. Educação é, pois, um processo de libertação e de conversão, mediante o qual o indivíduo se torna agente de seu próprio destino pessoal e social, para construir um mundo humano e cristão. Visa, pois, formar uma personalidade aberta, capaz de discenir e optar pelos verdadeiros valores, segundo o Evangelho.
5. IDENTIDADE CLARETIANA
5.1. Como Claretianos, inspiramo-nos na figura de Santo Antônio Maria Claret, da qual destacamos:
- sua ação evangelizadora e missionária, atenta em promover os meios mais eficazes para atingir seus objetivos;
- seu amor e docilidade à Palavra de Deus, como iluminadora de sua vida;
- seu amor a Maria, ao seu Coração Imaculado, como centro de intimidade com Deus e de afeto maternal aos homens;
- sua fidelidade e amor à Igreja;
- sua preocupação em preparar evangelizadores leigos.
5.2. Para nós, Claretianos, cujo carisma é a evangelização e o anúncio da Palavra, que é vida e sentido para o homem, a educação é reconhecida como valor humano e, por isso, evangelizadora; como processo de libertação por humanizar, personalizar e socializar.
5.3. Os Claretianos evangelizam a partir de uma comunidade, à semelhança dos apóstolos. Por isso, educar significa criar uma comunidade educativa, na qual se incluam alunos, professores, pais, a comunidade religiosa, o pessoal de administração, de serviço e a comunidade social.
5.4. Esta comunidade deve estar em processo de revisão e deve ser:
- QUALIFICADA - intelectualmente bem atualizada, pesquisadora e co-responsável.
- LIBERTADORA - enquanto participa da ação libertadora de Cristo, inscrevendo-se no projeto histórico de construção de um homem novo e de uma sociedade nova, com novas relações de justiça, fraternidade e solidariedade.
- EVANGELIZADORA - enquanto, partindo da contemplação de Cristo, inspirador da comunidade evangelizadora, dá testemunho de justiça, de fraternidade no trabalho, de humanização e de tomada de consciência da dimensão transcendental das atividades comunitárias.
6. PRINCÍPIOS EDUCATIVOS
A educação da comunidade claretiana baseia-se em três princípios fundamentais, que devem orientar sua prática educativa:
6.1. Cada pessoa é um ser único e singular. A educação procura tornar esse ser um sujeito consciente de suas possibilidades e limitações. A manifestação dinâmica dessa singularidade é a originalidade e a criatividade.
6.2. Cada pessoa é o princípio de suas ações, de sua capacidade de governar-se tendo em vista sua liberdade. Fundamentalmente, o ser humano é livre para se realizar como pessoa e, por isso, responsável pelo seu projeto pessoal e social de vida. Tal assertiva opõe-se totalmente à arbitrariedade vigente.
6.3. O homem é simultaneamente uma totalidade e uma exigência de abertura e contato com os outros. Este princípio orienta a educação para as relações de colaboração de trabalho e amizade na vida econômica, política e social.
7. PRINCÍPIOS DIDÁTICOS
7.1. A educação humanista proposta pela Ação Educacional Claretiana tenta vivenciar uma pedagogia e uma didática que estejam em perfeita coerência com ela.
7.2. A metodologia, amparada pelo Projeto Educativo Claretiano, incide profundamente no desenvolvimento da personalidade, na auto-realização e na autonomia de ser e de aprender do aluno, como também na formação do espírito de cooperação e de solidariedade. Para isso, essa metodologia e didática apoiam-se nos seguintes princípios:
- PRINCÍPIO DA UNIDADE - Visa-se com vergência dos valores para o desenvolvimento da inteligência, da vontade, do sentimento e da ação do aluno.
- PRINCÍPIO DA PERSONALIZAÇÃO - Visa-se a salvaguardar e potenciar a unidade e originalidade do aluno.
- PRINCÍPIO DA AUTONOMIA - Trata-se de criar no aluno uma atitude cultural de abertura ao saber, de dotá-lo de uma técnica de aprendizagem intelectual capaz de atualização constante, de despertar nele o desejo e a responsabilidade de aprender, mesmo após concluída a ajuda do educador.
- PRINCÍPIO DA ATIVIDADE - Solicita-se a atividade pessoal do aluno, sem a qual é inútil qualquer ensinamento.
- PRINCÍPIO DA LIBERDADE - Procura-se respeitar o caminho pessoal do aluno para a consecução da verdade, do desenvolvimento próprio, adotando para isso os princípios da aprendizagem.
- PRINCÍPIO DA INTERIORIZAÇÃO - Caracteriza-se pela formação intelectual como processo do interior para o interior, isto é, da atividade e do interesse pessoal para a posse interior profunda da cultura.
- PRINCÍPIO DA INTEGRIDADE - Considera-se o aluno vocacional e profissionalmente integrado somente quando ele, como um todo, se projeta numa perspectiva de vida que lhe seja peculiar e inalienável. Visa a uma cultura prática e funcional e não a um intelectualismo puro e abstrato. É por esse caminho que se conduz o jovem a buscar seu próprio aperfeiçoamento, a autonomia nos estudos, o desenvolvimento da capacidade pessoal de investigação, análise e reflexão.
8. NOSSA PRÁTICA EDUCATIVA
Nosso educador:
8.1. Tem consciência de seu valor e exerce um papel fundamental na educação.
8.2. Alicerça seu trabalho numa concepção da pessoa, da vida, do mundo e da sociedade. É essa concepção que determina atitudes e valores em coerência com a visão da escola.
8.3. Sente-se um mediador entre a verdade, que deve ser conhecida, e o educando, agente fundamental da educação, aquele que constrói o próprio conhecimento.
8.4. Promove uma educação DIALÓGICA, que implica reconhecer o educando como pessoa, com identidade e missão pessoal, estimulando-o a assumir sua responsabilidade individual e comunitária.
8.5. Promove uma educação que torna o educando consciente de que ele é o AGENTE principal de seu processo de aperfeiçoamento. Isso implica na formação da capacidade criativa, na capacidade de ver os outros como pessoa, de julgar e ponderar as circunstâncias históricas, de descobrir o sentido único e válido ao qual deve responder.
8.6. Vivencia uma educação ABERTA ao amor e ao serviço dos semelhantes num mundo animado pela justiça e verdade, às aspirações profundas do ser humano, aos direitos das pessoas, das comunidades, à paz, à solidariedade, às conquistas do espírito humano no campo da ciência, da filosofia, da arte, etc.
Nosso objetivo é formar cidadãos capazes e dispostos a participarem ativamente da vida política, social, econômica e cultura da humanidade.
9.COMUNIDADE EDUCATIVA
A Direção, o corpo docente, os alunos, os pais e funcionários compõem a Comunidade Educativa, na qual todos se integram e dela participam, de acordo com sua função, da educação integral do aluno.
É aspiração de todos que esta comunidade educativa chegue a constituir uma verdadeira comunidade cristã.
O sentido e alcance da participação de cada um dos membros da Comunidade Educativa nas decisões que afetam a marcha da Instituição Claretiana estão condicionados pelo tipo de responsabilidade assumida por cada um.
À Ação Educacional Claretiana, como entidade mantenedora, cabe estabelecer as linhas pedagógicas e as características próprias da educação.
A Instituição Claretiana responsabiliza-se, perante a sociedade, por este PROJETO EDUCATIVO e pela aplicação prática dos seus princípios na atividade educativa.
Integrantes da comunidade:
- Professores participam da Comunidade Educativa pela regência de aulas, participação em reuniões de colegiado, orientação de trabalhos científicos etc.
- Os alunos, que são o centro da atenção educativa, participam da Comunidade como representantes de classe, nas reuniões pedagógicas e, junto à Direção, quando necessário.
- Os funcionários participam do processo educativo por meio de suas atividades técnico-profissionais, em uma estrutura essencial para a realização do PROJETO EDUCATIVO.
- Os pais devem estar presentes no processo educativo, fazendo de seus lares a primeira escola de virtudes, que prepara seus filhos para o relacionamento com os homens e com Deus, devem acompanhar seus filhos em seus estudos e atividades escolares ao longo do ano letivo e devem participar das reuniões sempre que convocados pela direção.
Além desses canais oficiais de participação, está sempre aberta a possibilidade de um contato espontâneo com os responsáveis pela instituição.